quinta-feira, 28 de novembro de 2013

CUT é a única central sindical que se uniu aos empresários contra a Lei do Descanso

Estranhamente a Central Única dos TRABALHADORES se uniu ao Movimento União brasil Caminhoneiro contra a Lei 12.619/2012, que regulamentou a profissão de motorista
A aliança foi formada durante o “1º Seminário Nacional de Transporte de Carga - Desafios para o desenvolvimento e para condições dignas de trabalho”, organizado pela CUT e pelo Movimento Nacional União Brasil Caminhoneiro (MUBC), no dia 22 de novembro, em São Paulo.
No evento, a 

Lei do descanso foi criticada pelo representante da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), Luiz Alberto Mincarone. 

Ele defendeu que o trabalhador rode mais durante o dia para compensar o tempo no retorno da viagem. Além de citar o problema da falta de estrutura nas estradas para que a lei seja comprida. “A lei deveria prever os pontos de parada, que foram vetados na ocasião da aprovação, e podem ser suportados por concessionárias ou elo governo. Hoje o motorista é obrigado a ficar em um local inóspito, sem condições de higiene ou tendo que comprar algo, abastecer no posto de gasolina poder estacionar”, explicou.
O projeto que obriga a construção dos pontos de parada já foi aprovado na Câmara dos Deputados, veja a matéria completa. 


Ainda durante o evento, o ex-secretário de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes, José Valente, discordou e avaliou a necessidade de enfrentar o discurso dos empregadores. “Não devemos cair na cantoria dos embarcadores de que o tempo de descanso prejudica o negócio. Prejudica o lucro, não o negócio, porque os trabalhadores devem ter condições dignas. Essa questão deve ser atacada e é o que vai permitir que o frete seja melhor, porque mais caminhoneiros estarão na ativa“.
Na carta produzida ao final do evento para ser entregue à Ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o item 11 cita a regulamentação: 11 – Garantir a aprovação da proposta de regulação da jornada de trabalho, já debatida e consensuada entre governo e representação dos trabalhadores indicando como representantes nos fóruns pertinentes sobre o tema, Paulo Estausia(CNTT) e Carlos Roesel (Sindicato Cegonheiros MG).
Com informações da http://www.cut.org.br.
A regulamentação porém, já foi sancionada e o controle da jornada de trabalho  já está sendo cumprido pelas empresas que respeitam seus motoristas.
Movimento União Brasil Caminhoneiro segue em busca de aliados contra a Lei do Descanso para favorecer os grandes empresários, no meio de uma pauta com itens econômicos e que beneficiam caminhoneiros autônomos, que são empresários também, está sempre incluído um item sobre a Lei do Descanso, contra ela.
Aqueles que estão optando pela aliança com os empresários estão automaticamente sendo cúmplices das mortes causadas por motoristas cansados ou sob o efeito de alguma droga.
Caso a CUT esteja desinformada a respeito dos responsáveis pela luta contra a Lei do Descanso, segue um breve histórico:
Nélio Botelho
Líder do Movimento União Brasil Caminhoneiro – MUBC, presidente da Cooperativa Brasileira dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens Ltda – Cobrascam e empresário.
 Nélio Botelho possui um pátio com 160 mil metros quadrados, na saída da Rodovia Presidente Dutra, no Rio. A área, que equivale a 20 campos de futebol do tamanho do gramado do Maracanã, é usada para o pernoite de caminhoneiros. O terreno foi cedido em março de 1991 supostamente como parte de um convênio com a cooperativa. Pelo acordo, a Cobrascam se comprometia a pagar pelo arrendamento do terreno R$ 46 mil por semestre e prestar serviços aos caminhoneiros.
Uma investigação do DNER apurou que o terreno teria sido cedido sem licitação para a Cobrascam, por um diretor do DNER do Rio de Janeiro, no local são mantidos também um posto de gasolina, um restaurante e uma borracharia - atividades particulares de Nélio Botelho.
O local desse pátio é estratégico e as ações de Nélio começam sempre por ali. A Via Dutra é uma das mais movimentadas do país e durante as manifestações organizadas por Nélio é o primeiro lugar a ser bloqueado. A União Brasil Caminhoneiros está instalada na sede da Cobrascam.
A 8ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro já determinou a desocupação desta área pelo MUBC em julho deste ano.
Para Nélio é muito conveniente que a Lei não seja cumprida, além de beneficiar as empresas com a exploração dos trabalhadores – sem o controle da jornada de trabalho, a construção de novos pontos de parada traria maior concorrência para seu pátio – e consequentemente, menos lucro.
Em julho deste ano, Nélio foi investigado por locaute – greve patronal que é ilegal, quando paralisou várias rodovias do Brasil causando a morte de nove motoristas que tentaram passar pelos bloqueios nas rodovias.
Informações do Site do Ministério do Transporte
Deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP)
As afirmações daqueles que estão se declaram contra o controle da jornada de trabalho deixam clara a falta de proximidade com o tema discutido. O Deputado ruralista Nelson Marquezelli (PTB-SP), um dos parlamentares que não participou de nenhuma audiência pública durante a construção do Projeto de Lei que resultou na regulamentação e agora é contra as normas impostas pela Lei, afirmou que o descanso dos motoristas “à noite pode ser de seis horas, aonde ele quiser, aonde ele achar melhor, aonde ele tiver um amigo ou uma pousada, aonde ele tiver um lugar em que possa descansar".
É muito cômodo que o motorista descanse em qualquer lugar, assim não trará mais custos à empresa, ou no caso dos autônomos não aumentará o preço do frete. Para que está temendo pelo seu lucro, não importa onde o trabalhador irá descansar.
O deputado Nelson Marquezelli já esteve envolvido em algumas declarações polêmicas, como por exemplo, quando contra a PEC do Trabalho Escravo por não concordar que a terra na qual seja flagrada a utilização de mão de obra escrava, será destinada à Reforma Agrária. Neste mesmo discurso, o deputado afirmou que tirar a propriedade dos herdeiros é pior do que tirar a vida de alguém.
Além disso, o deputado é um dos maiores produtores de laranja do Brasil. Não por acaso ele quer que os motoristas continuem trabalhando sem o controle da jornada de trabalho.

Fonte: Ministério dos Transportes

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