sexta-feira, 23 de março de 2012

Temática da água deve ser debatida durante a Rio + 20


O diretor da Agência Nacional de Águas cobrou ousadia no debate de políticas sobre recursos hídricos

Rio de Janeiro. O diretor da Agência Nacional de Águas do Brasil (ANA), Vicente Andreu, questionou ontem a pouca relevância que o tema "água" terá na Rio+20 e pediu a criação de um organismo mundial que impulsione uma melhor distribuição de água entre os países.

Em declarações à imprensa, todas referentes ao Dia Mundial de Água, Andreu alegou que a abordagem deste recurso vital na minuta do documento que será discutido na cúpula Rio+20 é "patética" e "não tem nada de ousadia".

A Rio+20, intitulada de Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, será realizada no próximo mês de junho, no Rio de Janeiro.

O diretor da ANA também defendeu a criação de um organismo mundial para melhorar a distribuição de água entre os países para evitar alguns dos problemas já mencionados pela Nações Unidas, como a escassez e o desperdício. Andreu, que compareceu à 6ª edição do Fórum Mundial da Água - realizada em Marselha (França), na última semana -, assegurou que todos os participantes do encontro chegaram ao consenso que este assunto sofre de uma espécie de "abandono" dentro da ONU.

"O que é necessário concordar na Rio+20 é a criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável e o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Dentro dessas instituições, apareceria um braço responsável somente pelo fator água", explicou Andreu.

O Dia Mundial de Água foi recordado ontem com diversos atos pelo País, com destaque para a exibição de uma escultura de gelo em forma de diamante feita com 2,2 mil litros de água. A obra, exposta em uma estação do metrô da capital paulista, poderá ser vista pelo público até domingo. Segundo a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo, os 60 blocos de gelo que formam a escultura serão reutilizados.

O secretário-executivo da Rio+20, o embaixador francês Brice Lalonde, afirmou ontem que a conferência deve produzir um mandado para que a ONU apresente, em um prazo de três anos, um indicador alternativo ao PIB, criticado por não contabilizar os impactos ambientais da produção de riqueza.

Riquezas

A reforma da medida da riqueza das nações tem sido uma das principais pautas da conferência no Rio de Janeiro.

Durante o Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus, Lalonde disse duvidar que do Rio já possa sair o novo indicador. "Não tenho certeza de que conseguiremos criar em três meses, porque já houve muita discussão em 30 anos", afirmou ele, que é responsável por toda a parte logística da conferência.

O secretário-executivo também mandou um recado aos líderes dos países que se preparam para vir à cúpula: "Não venham ao Rio se vocês não tiverem compromissos".

Ele disse esperar que se produzam compromissos para o desenvolvimento sustentável nas áreas de água, energia, comida, oceanos e solidariedade social.
Fonte: Diario do Nordeste 

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